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Porque é que a dor no tendão insiste em voltar? O papel do exercício clínico na recuperação

agosto 2026

Por FisioNunes

Há dores que aparecem de forma discreta. Um ligeiro incómodo ao subir escadas. Uma sensação de rigidez ao dar os primeiros passos de manhã. Um desconforto que surge apenas no final da corrida ou depois de um treino mais intenso.

Como o sintoma é inicialmente suportável, muitas pessoas continuam a fazer exatamente o mesmo, esperando que desapareça sozinho. Quando a dor aumenta, a reação costuma ser a oposta: parar completamente. Entre o excesso de esforço e o repouso absoluto, o tendão nunca chega verdadeiramente a recuperar.

É precisamente por isso que as tendinopatias são uma das condições musculoesqueléticas com maior tendência para persistir ou reaparecer.

Os tendões são estruturas resistentes que ligam o músculo ao osso e permitem transmitir a força necessária para produzir movimento. Ao contrário do que durante muitos anos se acreditou, a maioria das tendinopatias não resulta de um processo inflamatório prolongado, mas sim de alterações na capacidade do tendão suportar carga. Quando essa capacidade é ultrapassada de forma repetida, começam a surgir dor e limitação funcional.

Esta situação é frequente no tendão de Aquiles, no tendão rotuliano, nos tendões da coifa dos rotadores do ombro ou nos tendões dos cotovelos. Pode afetar atletas, mas também pessoas que passam grande parte do dia em pé, iniciam um programa de exercício após um período de inatividade ou aumentam demasiado depressa a intensidade dos treinos.

Um erro frequente consiste em associar a recuperação apenas ao desaparecimento da dor. Na realidade, um tendão pode deixar de doer sem ter recuperado totalmente a sua capacidade para suportar esforço. É por isso que muitas pessoas regressam rapidamente à atividade habitual e, poucas semanas depois, voltam a sentir exatamente o mesmo problema.

O exercício clínico tem um papel determinante neste processo porque procura restaurar essa capacidade de forma gradual e controlada.

Ao contrário da ideia de que todos os exercícios servem para qualquer situação, a evidência atual demonstra que o tendão necessita de um estímulo progressivo e adaptado à fase da recuperação. Nem carga insuficiente, nem carga excessiva. O objetivo é encontrar um equilíbrio que permita estimular a adaptação dos tecidos sem agravar os sintomas.

É também por isso que dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem realizar programas completamente diferentes. A quantidade de carga, o tipo de exercício, a velocidade de execução e a progressão dependem da capacidade funcional de cada pessoa, da intensidade dos sintomas e das exigências da sua atividade diária ou desportiva.

Outro aspeto frequentemente esquecido é que a origem do problema nem sempre está apenas no tendão afetado.

Uma limitação da mobilidade do tornozelo pode aumentar a sobrecarga sobre o tendão de Aquiles. Um défice de força dos músculos da anca pode alterar a forma como o joelho absorve as forças durante a corrida. Alterações do controlo motor ou da técnica de execução de determinados movimentos podem fazer com que o tendão seja sujeito, repetidamente, a cargas superiores àquelas que consegue tolerar.

É por isso que a avaliação clínica vai muito além da zona dolorosa. Analisa a forma como o corpo se movimenta, distribui as cargas e responde ao esforço, permitindo identificar fatores que contribuem para manter o problema.

A recuperação exige também paciência. Ao contrário de uma lesão muscular, um tendão adapta-se mais lentamente. Em muitas situações, são necessárias várias semanas de exercício progressivo para que ocorram alterações consistentes na sua capacidade funcional. Este é um dos motivos pelos quais abandonar o programa de reabilitação assim que a dor diminui pode comprometer os resultados a longo prazo.

A boa notícia é que, quando a carga é bem gerida e o exercício é adaptado às necessidades da pessoa, a maioria das tendinopatias evolui favoravelmente. O objetivo não é apenas eliminar a dor, mas devolver ao tendão a capacidade de responder às exigências da vida diária, do trabalho ou da prática desportiva, reduzindo significativamente o risco de recaída.

Recuperar um tendão não significa deixá-lo descansar indefinidamente. Significa ensiná-lo, de forma progressiva, a voltar a fazer aquilo para que foi concebido: suportar carga e permitir movimento.

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